Não é novidade que o cinema nacional, principalmente os curta e média metragens, sofre com a falta de opções para a distribuição. Enquanto ...

13:24:00 by marcelo engster
Não é novidade que o cinema nacional, principalmente os curta e média metragens, sofre com a falta de opções para a distribuição. Enquanto que a Lei do Curta, que estabelece a exibição de um curta nacional antes de um longa nas salas de cinema, não é cumprida, a lei 12.485, que obriga canais a cabo a exibirem conteúdo nacional ainda não consegue dar conta de tamanha produção curta-metragista. Youtube e similares, cineclubes, mostras e festivais são as grandes janelas para os produtores.

Kikitos, Oscarito e Eduardo abelin, Festival de Gramado. Foto: Edison Vara/Pressphoto www.edisonvara.com.ve 51-99820707

Mas e como chegar aos festivais? Pelo mundo são milhares de festivais e mostras, provavelmente próximo dos cinco mil eventos anuais. Como encontro esses festivais? Como me inscrever? Como escolher aqueles mais adequados ao meu filme? Tentaremos responder essas e outras perguntas nesses pontos:

1) Devemos lembrar que festivais e filmes são complementares. Nenhum é mais importante que o outro. Um festival não existe sem filmes. Já um filme, mesmo podendo existir fora, ganha muito peso ao participar do circuito de festivais. Portanto, assim como devemos ter respeito aos festivais, não devemos nos estressar com aqueles que desrespeitam as obras e autores, que acreditam estar acima dos filmes. Simplesmente ingnore-os. Certa vez recebi um e-mail de um festival me destratando por ter esquecido de enviar a sinopse na inscrição. Completamente desnecessário, não faço questão alguma de enviar novos filmes para lá. Do mesmo modo já vi cineastas desqualificarem festivais e até perseguirem os curadores por não terem seus filmes selecionados. Não é esse o caminho. Precisamos lembrar que existem milhares de realizadores e os filmes deles possivelmente conversam melhor com a proposta daquele festival do que o seu. Parta para o próximo e aceite que essa era a vez de outro autor exibir sua obra.

2) Persista. A não ser que seja um arrasa quarteirão é bem possível que tua obra não entre nos primeiros festivais. Muitos desistem de inscrever os filmes depois das três primeiras recusas. No nosso coletivo fizemos uma média de 50 inscrições para uma seleção (50 pra UMA!). Portanto...

3) Fazer um curta rodar festivais dá uma trabalheira danada. Você precisa investir dias do seu mês inscrevendo. Eu geralmente pego os dois primeiros dias de cada mês exclusivamente para ficar enviando os filmes.

4) Tenha uma pasta com os documentos que a maioria dos festivais solicita. E um arquivo de texto com as informações sobre sua obra. Isso facilita sua vida nas inscrições. O que é bom ter: Título, ano, duração, sinopse, equipe técnica, local de produção, 3 fotos still (de preferencia em 300 dpi), pôster (vá adicionando os louros dos festivais que o filme participou, isso dá uma moral maior para as próximas seleções), link para trailer, biofilmografia do diretor e 2 fotos do diretor (de preferencia em 300 dpi). Alguns festivais pedem mais documentos, já vi solicitarem até cópia de RG e CPF, assinatura de todos os membros da equipe técnica na ficha de inscrição entre outras coisas, mas é bem raro. Não perco meu tempo com festivais com extravagancias como assinatura de toda a equipe técnica ou que enviam a ficha de inscrição em pdf não editável, apenas se tiver prêmios em dinheiro.  Festivais universitários solicitam também comprovante de matrícula, alguns de até três membros da equipe. Outros solicitam CPB e classificação indicativa do Ministério da Justiça. Ambas são simples de conseguir, mas é bom fazer com antecedência (cuidado! Alguns festivais se aproveitam e pedem para você solicitar esses documentos com “parceiros” deles, cobrando taxas absurdas). E, festivais!, por favor, facilitem as fichas de inscrição, não existem motivos para solicitarem tantas informações e documentos ainda na fase de seleção. Se o festival ainda exige DVDs faça uma capa bacana, mais um motivo pro curador ver o seu filme antes (mas, festivais!, por favor!, não peçam mais dvds. É contraproducente, os filmes ficam péssimos nessa mídia e já existe a internet pra isso.).

5) Um curta metragem tem uma vida de dois anos em festivais. Se seu filme foi finalizado em agosto de 2015 você conseguirá inscreve-lo na maioria dos festivais até agosto de 2017. Alguns poucos festivais, como a Mostra do Filme Livre, não se importam com a data de finalização do filme e é possível inscrever obras de qualquer ano.

6) Se possível, legende seus filmes. Ao menos em inglês e espanhol.

7) Existem festivais de nicho. Descubra se seu filme faz parte de um (ou faça um filme direcionado) e foque seus esforços nos festivais que se encaixam nele. Universitários, lgbts, de mulheres, ambientais, de terror, infantis, videodança são alguns dos gêneros com o maior número de eventos específicos. 

8) Fique atento aos regulamentos. Isso permite que você não perca tempo inscrevendo em festivais nos quais teu filme não tem o perfil. E, muito raro, mas já vi pegadinhas de passar os direitos de distribuição do teu filme para a organização do festival caso ele fosse selecionado. Fique longe desses!

9) Tenha em mãos os links para teu filme (eu mantenho um documento de texto com todos eles). Sugiro manter um link não listado no Youtube, outro com senha no Vimeo e mais um, com o arquivo para a exibição (.MOV ou .MP4 com codec H264) no Google Drive (link compartilhável) ou similares.

10) E onde acho os festivais? Eu uso três sites que facilitam minha vida:
- GuiaFala: o mais completo guia de festivais da América Latina. Tem separados os eventos com inscrições abertas no mês. É apenas um indicador de festivais, por isso é necessário realizar a inscrição em separado de cada um. Aqui: http://guiafala.com.br/
- Kinoforum: o portal está um tanto desatualizado, mas vale pra achar festivais internacionais. Aqui: http://www.kinoforum.org/guia/curtas-metragens/g
- FilmFreeway: portal de festivais gratuito. É necessário fazer o cadastro do filme apenas uma vez e depois só ir indicando quais festivais você quer inscrever. A maioria dos festivais é gratuito (é possível configurar para ver apenas esses), mas alguns cobram taxas, verifique com cuidado. Indico, caso tenha o filme legendado, que faça uma inscrição para cada língua que você tenha traduzido, os festivais gostam de receber o material de acordo com seus países. Aumentou consideravelmente o número de seleções quando passei a enviar as fichas em espanhol para os países de língua espanhola e assim consequentemente para os de língua inglesa e outras. Aqui: https://filmfreeway.com/
Existem outros portais nos mesmos moldes do Filmfreeway, mas que cobram taxas. Depende de você achar que é válido ou não investir dinheiro. Eu paguei apenas uma vez um plano de um ano em um dos portais e não tive tanto retorno quanto o esperado. Alguns deles: FestHome, MoviBeta, Click For Festivals e Short Film Depot.
Alguns centros culturais mantém mostras permanentes e exibem filmes mensalmente, entre eles o MIS (clique aqui pra ver a convocatória) e a Cinemateca Brasileira (envie um email para o contato neste site solicitando informações sobre a Mostra Primeira Exibição) em São Paulo e a Casa de Cultura Mário Quintana em Porto Alegre (entre em contato aqui, os resultados das seleções sempre saem no facebook da CCMQ). Eles exibem praticamente todos os filmes enviados. Pra quem acredita que o importante é a exibição, vale a pena o envio.

11) Sei que é bacana participar de Cannes, Sundance, Gramado ou qualquer um dos grandes. E sei que cada um sabe de seu filme. Mas muita gente, e vejo isso muito em universitários, miram apenas esses festivais e acabam se frustrando pela não seleção (e aí voltamos para o segundo item dessa lista). Teu filme precisa ser MUITO BOM para entrar nestes. E, se ao entra, não quer dizer que não seja um bom filme. Eu ainda acredito que um curta, principalmente as primeiras obras, devam ser exibidas no máximo de lugares possível. Por isso trato todos os festivais e mostra com o mesmo carinho que qualquer um dos grandes. Participar desses eventos, mesmo por menor que seja, te dá experiência, faz teu nome rodar e ser conhecido, te ajuda a aprender sobre teu próprio filme, a entender melhor os festivais, conhecer uma galera bacana e ainda algumas vezes viajar de graça!
Então bora jogar teus filmes pro mundo? Espero que a gente se encontre por algum festival!


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